2 de mai de 2010

CASA DE FUNDIÇÃO DE OURO EM PARANAGUÁ


Nós, os numismatas residentes no Estado do Paraná, quando adentramos para este mundo fantástico do conhecimento numismático, sempre ouvimos falar, em casa de fundição de moeda de Paranaguá, e alguns, até, pensavam existir alguma moeda e ou alguma barra de ouro fundida da casa de fundição de Paranaguá.

Mas, o certo, é que até hoje, nunca apareceu alguma peça numismática, seja em moeda e ou em barra de ouro, que corroborasse como prova destas afirmativas.

Resolvi pesquisar mais sobre o assunto, e lendo um livro de autoria do já reconhecido historiador Francisco de Paula Negrão ( nascido em 13/08/1871 e falecido em 11/09/1937) publicado no ano de 1934 com o título " MEMÓRIA HISTÓRICA PARANAENSE - AS MINAS DA CAPITANIA DE PARANAGUÁ, publicado pela Impressora Paranaense, em suas páginas 115, fala sobre a oficina de fundição de ouro de Paranaguá, cujo texto reproduzo abaixo, sem modificações de escrita da época, para leitura dos amigos que visitam este BLOG.

“OFFICINA DE FUNDIÇÃO DE OURO”


Em 7 de Setembro de 1702 foram creadas diversas Casas de Moedas e Officinas de fundição de ouro no Brasil, sendo em Paranaguá, creada uma CASA DOS QUINTOS, onde era fundido o ouro em pó e em folhetas, formando-se barras, que eram enviadas à Casa da Moeda do Rio de Janeiro, que as amoedava.

Em 1720 o Ouvidor Pardinho encontrou fechadas as officinas de fundição de Paranaguá, pelo que providenciou sobre a arrecadação dos cunhos, e nomeou a Diogo da Paz Caria, para Provedor, e ao Capitão-Mór André Gonçalves Pinheiro, para Thesoureiro e para Escrivão a Antonio Esteves Freire, recommendando-lhes que tratassem da arrecadação de algum ouro, ainda que pouco, que se tirava das minas e lavras velhas.

Em 1730 o Capitão-Mór André Gonçalves Pinheiro, já Provedor das Minas, demonstrava a El-Rey a esperança de novas descobertas de ouro, esperanças que não foram confirmadas, tanto que o ouvidor Antonio dos Santos Soares, por Provisão de 1733, declarou " livre a qualquer pessoa minerar nas cattas e faisqueiras velhas que houverem no termo e comarca de Paranaguá, visto que se acharem ellas abandonadas."
Por Carta Régia de 16 de Novembro de 1734, D. João péde informações a respeito deste provimento ao Conde de Sarzedas, ordenando-lhe que ouça o Guarda-Mór das referidas minas.


Observem amigos da Numismática, que no segundo parágrafo do texto acima, o Ouvidor Pardinho em 1720.....providenciou sobre " ARRECADAÇÃO DOS CUNHOS", o que nos leva a crer, que houvera peças numismáticas cunhadas nesta CASA DOS QUINTOS, em Paranaguá. O mais provável, barras de ouro, mas que até hoje, não se têm conhecimento da existência de alguma peça que prove esta afirmativa, embora, tenha havido esta possibilidade.

Já no primeiro parágrafo diz: "....onde era fundido o ouro em pó e em folhetas, formando-se barras, que eram enviadas à Casa da Moeda do Rio de Janeiro, que as amoedava."

Assim, amigos leitores deste BLOG, fica bem claro que naquele período, várias das moedas de ouro da numismática brasileira, cunhadas pela casa da Moeda do Rio de Janeiro, certamente, grande parte delas, foram cunhadas com ouro proveniente da CASA DOS QUINTOS de Paranaguá, no período compreendido de 1702 a 1720 e talvez, até 1730.

Já, em relação às barras de ouro, as quais eram enviadas à casa de moeda do Rio de Janeiro para que se cunhassem as moedas, seria de uma extrema raridade, que num futuro, aparecesse uma peça destas, em barra, para ficar provado em definitivo, a importância da Casa dos Quintos de Paranaguá, na contribuição histórica desta cidade e do povo Paranaense, para a numismática brasileira. Entretanto, esta importância já está patente, pela simples leitura destes fatos históricos.

Texto de autoria de João Gualberto Abib, Membro da Sociedade Numismática Brasileira e de inúmeras outras, sediadas em vários estados da Federação Brasileira.