2 de fev de 2015

MOEDA DE PRATA 960 RÉIS E A ABERTURA DOS PORTOS BRASILEIROS EM 1808.

Muitos me perguntam. Qual o motivo de colecionar somente 960 Réis? - Eu respondo: - De todas as moedas do Brasil, o 960 Réis é a moeda mais importante por alguns detalhes, pode ser colecionada por RECUNHOS, por VARIANTES, TIPOS e DATAS.

É uma moeda que se compara a uma OBRA DE ARTE, não existe nenhuma igual a outra. Sempre vai ter um detalhe de recunho e ou variante que a deixa patente como PEÇA ÚNICA.

Também, por ser a de maior valor de emissão, como moeda de prata, nos períodos históricos do Brasil, na COLÔNIA, REINO UNIDO e IMPERIO. Começou em 1808 ( com o Carimbo de Minas) e foi até 1834.

Foi criada no Brasil por ocasião da vinda de D. João VI, que veio com toda sua corte de Portugal, fugindo de Napoleão Bonaparte.

Todos os grandes colecionadores de 960 Réis são fascinados por colecionador os Patacões, por serem peças únicas e talvez, pela história que estas moedas representam na ABERTURA DOS PORTOS para o comércio do País, a partir do ano de 1808.

Dizem alguns historiadores que o Brasil só foi descoberto, de fato, no ano de 1808, antes disso, passou 308 anos com os PORTOS FECHADOS, deixando o Brasil sem nenhum crescimento e sem abertura comercial com os demais Países.

Somente após a vinda de D. João VI ao Brasil e com a ABERTURA DOS PORTOS, que o BRASIL passou a se desenvolver como uma verdadeira Nação. Talvez esta seja a razão pela qual, mesmo inconscientemente, os grandes colecionadores dão a merecida importância aos 960 Réis do Brasil e sejam tão fascinados, como eu, nas coleções destas peças.

Boa Leitura a Todos.

CONSIDERAÇÕES NUMISMÁTICAS ACERCA DAS MOEDAS DE 960 RÉIS COM CARIMBO PIRATINY.

POTOSI - 8 REALES de 1797 - ( COM CARIMBO PIRATINI) - SOBERBA - Esta moeda foi da coleção de SOLANO DE BARROS que era Diretor do Museu Histórico Nacional. Obs. ACOMPANHA ENVELOPE ORIGINAL - Se vocês observarem ele não fala em moeda comemorativa, fala em MOEDA OBSIDIONAL, o que me leva a crer, diferentemente de tudo que acreditei até agora, talvez, haja mesmo, um erro histórico em acreditar que estas moedas são COMEMORATIVAS. Este envelope, PODE SER UM DIVISOR DE AGUAS de tudo que se falou destes carimbos, mostra claramente que esta moeda foi circulada FIDUCIARIAMENTE como moeda dentro da República de Piratini, que na época, se encontrava sob CERCO, e nesta situação, bateu-se o Carimbo. Talvez por isto que Solano de Barros tenha tratado esta moeda como OBSIDIONAL. 
 


 
 
 
 

Muitos Numismatas como eu, reputam que estas moedas eram apenas COMEMORATIVAS, com carimbos opostos em 1935, por ocasião da festa dos 100 anos de Piratini. Agora olhem o envelope, possivelmente este envelope seja antes de 1935, embora não tenha data cabal, o Dr. Alfredo Solano de Barros trabalhava há muitos anos no Museu antes de 1935.

A palavra OBSIDIONAL, para que todos saibam, olhando o Dicionário de Numismática de Ney Chrysostomo da Costa, edição 1969 - "OBSIDIONAL - DESIGNAÇÃO DADA PARA MOEDA DE EMERGÊNCIA, CRIADA E FABRICADA DURANTE O CÊRCO DE UMA CIDADE OU DE UMA REGIÃO. Já "Moeda Obsidional - no mesmo dicionário: " É a que é fabricada durante um assedio ou um cerco". Vejam, a República Rio Grandense, em 1835, estava sob um cerco do Império do Brasil, por isto é plausível que a emissão destes carimbos, fossem legítimos como moedas obsidionais, assim como tratou o Dr. Alfredo Solano de Barros.

Pensem num assunto. O Envelope não tem a data definindo se foi antes e ou depois de 1935 ( data dos supostos carimbos comemorativos). Mas levem em consideração se a data fosse lá por volta de 1940. O Dr. Alfredo Solano de Barros, não saberia que em 1935 ( 5 anos antes) tinham sido batidos estes carimbos comemorativos???? Claro que saberia. Portanto, como ele era muito dedicado a Numismática Brasileira, esta afirmação dele que era moeda OBSIDIONAL ( de cerco), é muito importante para a Numismática Brasileira e pode corroborar com outros estudos a serem divulgados que estas moedas são de fato moedas da República Rio Grandense AUTENTICAS e não COMEMORATIVAS.

Como este texto foi publicado em minha página do FaceBook, o amigo Dr. Luciano Alves Teixeira, naquele texto publicado fez a seguinte observação: "O Dr. Alfredo Solano de Barros sempre se pautou pela utilização da técnica, em seus estudos. Teve à sua disposição, vasto material documental, para desenvolver os seus estudos (v.g., BARROS, Alfredo Solano de. A gênese da numária brasileira: séculos XVI e XVII. In: Anais do Museu Histórico Nacional. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional. v. I. 1941. p. 89-109.) e as suas conclusões; até onde eu tenho conhecimento, nunca foram, suficientemente, refutadas, pelos demais pesquisadores, da Numária brasileira."
 
Já o meu amigo e também pesquisador, Sérgio Giraldi fez o  seguinte comentário: "Está aí para quem quiser ver, uma moeda da República, catalogada e estudada ainda nos anos 1920 e tida como totalmente verdadeira e original."

"Aparentemente nos anos 1940, com os tempos da 2ª Guerra Mundial - Getúlio Vargas e seu governo ficam temerários da um novo levante Separatista do Rio Grande (agora com o apoio do imigrante alemão e italiano) (que poderia se separar por influencias agora fascistas/nazis) isso leva a uma política de negação das bases separatistas históricas, e há uma pressão velada da política de estado sobre os numismatas e estudiosos de moedas da época, forçando muitos a "reverem" as moedas gaúchas como algo "inventadas" e "falsas", o que culminou com a ideia errada que se faz sobre a nossa moeda republicana. Ainda bem que levantei o tema, estou estudando e já consegui publicar artigo, desmistificando tudo isso que ai está. Hoje há o resgate da moeda republicana como peça de coleção e totalmente original".
 
E ainda, para ilustrar mais, o amigo Sérgio Giraldi enviou as imagens seguintes:
 


Hoje dia 31 de Janeiro de 2015, fiz uma pesquisa numismática e fiz estas novas descobertas sobre estes carimbos da República Piratiny:

Manuseando o livro de Saturnino de Pádua, com o título de " Guia do Colleccionador de Moedas Brasileiras" edição de 1928, pelos editores Santos Leitão & Cia. da cidade do Rio de Janeiro, nas páginas 137, na parte que fala da República Piratiny.
 
" Em 1835, os revolucionários no Rio Grande do Sul iniciaram o movimento que em 1836 tomou caráter separatista e o intento de estabelecer o governo republicano na Província sob a denominação de República Piratiny. TODA A MOEDA QUE CIRCULOU NOS PONTOS QUE IAM SENDO OCUPADOS PELOS SEPARATISTAS, DESDE 1836, recebia um carimbo, de concepção e fabrico uruguayo e especialmente destinadas ao pagamento dos Gaúchos da Banda Oriental que estavam a serviço da revolução, cujo carimbo era de forma ovoide e lembra as ARMAS DOS PAÍSES HISPANO AMERICANOS, além de conter em castelhano o nome do mês do início da REBELIÃO.
 
"CARIMBO EM MOEDAS DE PRATA"  ( veja que ele considera real sobre moedas de prata).
 
"Duas mãos enlaçadas mantendo pelo punho uma baioneta tendo na ponta um barrete frígio ( escrito phrygio) sobre um fundo irradiado; à esquerda, 20, à direita 7BRE e em baixo 1835, entre florões, que é a data oficial do dito movimento, que durou até 1845."
 
 
MINHAS CONSIDERAÇÕES A RESPEITO: Esta publicação é de 1928. O Centenário da República Piratiny, deu-se em 1935, ou seja, já em 1928, ( 7 anos antes) descrevia-se que existiam estes carimbos sobre moeda de PRATA, inclusive, na mesma página, existe um exemplar deste carimbo sobre um 960 Réis e sua descrição como se observa acima.

Faço estas considerações, para que os estudiosos que falam que estes carimbos SÃO FALSOS sobre 960 Réis e se não forem, sempre diziam que SÃO CARIMBOS "COMEMORATIVOS" feitos em 1935, pelo Centenário da Revolução.
 
Parece-me que está caindo por terra estas afirmações sem fundamento, com mais esta revelação agora, aliada àquela moeda que expus no início desta matéria, onde tem  envelope de Solano de Barros.
 
Tem ainda, a moeda do amigo Sérgio Giraldi, que também foi da Coleção do  Dr. ALFREDO SOLANO DE BARROS e a considerava como verdadeira, lá nos anos de 1920.  
 
Certamente, os conceitos terão que mudar, mas continuarei a busca de novas evidencias que estes carimbos são reais sobre moedas de prata e relatadas em livros de Numismática do Brasil.
 
Ocorre que muita gente neste meio é afeita a fazer afirmações sem nenhuma pesquisa histórica e os neófitos quando ouvem estes "numismatas", levam aquilo como verdadeiro sem se amparar na história já escrita e reescrita nos anais de nossa numismática brasileira.
 
Mesmo assim, em minhas pesquisas se descobrir novas evidencias, farei a devida divulgação. Peço que imprimam este relato e guardem estas informações pelo bem de nossa Numismática.
 
Boa Leitura a todos.
 
 
 



1 de fev de 2015

NO BRASIL ENTRE 1694 à 1833 - EM VALORES SE CUNHOU MAIS MOEDAS DE PRATA OU OURO??

Olha que curioso: Lendo agora o Livro "Medalheiro da Casa da Moeda" apresentado na Exposição de 1861 , de autoria do Dr. Candido de Azeredo Coutinho, editado e publicado pela typografia Nacional em 1862, nas páginas 42, existe um quadro do total de cunhagem de moedas no Brasil entre os anos de " 1694 a 1833" por tipo de metal a saber:
 
 
Ouro................................................................................249.457:629$928
Prata ...................................................................................27.260:866$319
Cobre-Cunhado no RJ - BA - SP - MT - GO e Portugal...18.000:000$000



Juro que se me perguntassem se foram cunhadas mais moedas de Ouro ou Prata, ( para que não haja dúvidas, em valores) eu responderia Prata. E estaria errado. Por este quadro, fica claro que moedas de cobre não tinham muita importância, tanto é que o quadro deu número estimativo e não exato, como na Prata e Ouro. Coisas interessantes da nossa história da Numismática.

Porque eu pensava que a PRATA ( em valores e não em quantidade) tinha sido as mais cunhadas? Pelo fato de que existiam grandes reservas de prata no Vice-Reino do Perú, depois de 1776, conhecido como Vice-Reino do Rio da Prata ( hoje atual Bolívia) onde lá se encontra a grandiosa Mina de Prata de Potosí.

Nesta época o domínio da Mina de Prata era da ESPANHA, mas logicamente o Brasil, com domínio Português, era um grande produtor de ouro, e eu acreditava ( antes de ver este quadro) que o Brasil entregava o ouro e recebia a prata em troca para a cunhagem de nossas moedas de Prata.

Mas foi um erro pensar assim, por este quadro fica claro que o Brasil, cunhava ( em valores e não em quantidade) mais moedas de Ouro do que de Prata.

Confesso que com esta pesquisa e descoberta, pensava totalmente errado do ponto de vista histórico e documentado.

Foi uma lição.

Boa Leitura a Todos.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSAIO MONETÁRIO DA MOEDA 960 RÉIS DE 1809.



960 Réis 1809 R - Não confundir com a única peça conhecida e que está no Museu do Banco Central do Brasil, catalogada com nº P.419 ( como peça única). - trata-se da peça catalogada como Ensaio Monetário E-012 ( página 370 do Livro das Moedas do Brasil edição 2012 - Amato e Irlei.
 
Manuseando o livro de Saturnino de Pádua, com o título de " Guia do Colleccionador de Moedas Brasileiras" edição de 1928, pelos editores Santos Leitão & Cia. da cidade do Rio de Janeiro, na página 173, onde cita os ENSAIOS E PROVAS, cita esta moeda de 1809 - R como peça única conhecida e que naquela ocasião a descreve: ANVERSO - Armas de Portugal, data bipartida, o valor à esquerda entre pontos em algarismos inclinados e em tipo menor que o comumente usado , três florões a direita entre pontos. JOANNES D: G: PORT: ET BRAS: D: P: REGENS. REVERSO - A esfera sobre a cruz de cristo. SUBQ. SIGN. NATA STAB.

Diz ainda: É um trabalho muito mais fino e perfeito que o então em uso, nas pratas daquele valor. O Exemplar é em Prata e citado no Souza Lobo ( catálogo de Moedas de 1908).

Minhas considerações: Quando li este artigo, logo pensei que se tratasse do 960 Réis de 1809 R que está no Museu do Banco Central do Brasil, mas olhando a descrição com mais clareza, é de fato um ENSAIO MONETÁRIO catalogado, com nº E-012. O que diferencia uma da outra é que uma termina como BRAS.D e a outra como P. REGENS, como a moeda série especial de 1816 R citada no catálogo como P. REGENS. Mas a Série Especial está na legenda: " PORT. BRAS. ET. ALG. P. REGENS." e este ensaio de 1809 R, embora terminando com P. REGENS, está com legenda "JOANNES D: G: PORT: TE. BRAS: D: P: REGENS". Uma curiosidade, pois logo em 1810 passaram a cunhar os patacões de 960 Réis e toda a série deste modelo de 1810 R até 1818 R ( modelos da Colônia).
 
A legenda ficou assim durante todo o período de cunhagem ( 1810 a 1818) - " JOANNES D. G. PORT. P. REGENS. ET BRAS.D."

Mais uma curiosidade numismática.

CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE A PEÇA DA COROAÇÃO - MOEDA DE OURO DE 6.400 RÉIS DE 1822.

Olhem uma revelação histórica: Todos diziam que a peça da Coroação ( Moeda em ouro de 6.400 Réis do ano de 1822) foi rejeitada pelo imperador, porque o busto estaria desnudo e que não lhe agradou o visual, por isto foi por ordem IMPERIAL recolhidas, restando poucas moedas e depois estas que restaram, ficaram conhecidas como a PEÇA DE COROAÇÃO. Pelo menos isto me foi passado por quase todos os Numismatas mais velhos que eu.

Agora mesmo, lendo a Página 45 do Livro "Medalheiro da Casa da Moeda" apresentado na Exposição de 1861 , de autoria do Dr. Cândido de Azeredo Coutinho, editado e publicado pela Typografia Nacional em 1862. Diz o texto......." prejudicando talvez algumas das Altas Qualidades do Fundador do Império, diremos que a moeda de ouro cunhada para correr no novo Império desagradou ao Senhor D. Pedro I, não por nela se achar SEU BUSTO sob forma heroica, e sim por faltar na legenda a palavra - CONST. antes da IMP. e por estar o mesmo Busto coroado de louro, FALTA E REDUNDANCIA estas que, como imediatamente descobriu AQUELE AUGUSTO SENHOR, se prestavam a alusões menos dignas de seu Nobre Caráter. Que não foi por estar o retrato sob forma heroica, que o IMPERADOR rejeitou esta moeda, convence o seguinte documento existente na CASA, a saber, uma prova da de 4$000 gravada em 1823, que, apesar de ter o retrato vestido de farda, por lhe faltar na legenda a palavra - CONST. , foi também REJEITADA".
" E é porque a respeito da primeira moeda, censuras tiveram outrora lugar que deve ficar bem provado que não só o Augusto Fundador da Independência não teve parte na determinação das mutras; mas até que foi quem, pelas razões apresentadas, se opôs à sua circulação. Continuou a CASA a cunhar até Julho de 1849 a moeda de Ouro com as mutras assim modificadas, e a de prata com as adotadas em 1835."

Comentário: Ou será que estavam procurando uma justificativa mais nobre? Afinal, desnudo no Busto, poderia indicar outras inclinações ao Nobre Imperador. Mas olhando agora a moeda no catálogo P.592, em comparação com a P. 598, de fato, houve esta correção do CONST.IMP.
Para o bem de nossa Numismática é o que está escrito neste livro de 1862. Desta forma, fica incorporada mais esta informação acerca da peça da coroação.

Continuando a pesquisa: Nas paginas 32 e 33 do mesmo livro de 1862, achei isto interessante para divulgar. " Não nos tem sido possível até hoje descobrir o Decreto ou Portaria, que mandou abrir o cunho das primeiras moedas de Ouro, nem quem ordenou a gravura das segundas, sabe-se contudo pelo oficio seguinte que o senhor Dom Pedro I fizera oposição à circulação daquelas.......até o dia 16 de Julho passado não se cunharão em Ouro, Prata ou Cobre com o novo cunho das Armas do Império, senão 64 moedas de ouro de 6.400 Réis com o retrato de S.M. o Imperador, digo Imperial de corpo nú, para o dia da Coroação, cujo retrato não tornou a servir mais, por não agradar ao Mesmo Imperial Senhor e desde então até o dito dia 16 de Julho não houve mais decisão alguma. Rio, 27 de Agosto de 1823 - José Maria da Fonseca Costa."
 
De qualquer forma, os Numismatas mais velhos, não estavam totalmente errados da informação que me passaram, de fato houve um descontentamento do Imperador sobre o busto desnudo, o que motivou por este, o recolhimento daquelas 64 moedas, pelo menos parte delas, foram preservadas para o bem na Numismática Brasileira.  

Boa Leitura a todos.

17 de mar de 2014

ASSIM NASCEU A SOCIEDADE NUMISMÁTICA BRASILEIRA ADVINDA DA FILATELIA BRASILEIRA


ASSIM NASCEU A SOCIEDADE NUMISMÁTICA BRASILEIRA ADVINDA DA FILATELIA BRASILEIRA
 
No meu texto publicado sobre os 90 anos da Sociedade Numismática Brasileira fiz menção que ela foi fundada por pessoas advindas da FILATELIA, e como tal, esta afirmação me trouxe dissabores para que eu provasse o que eu afirmei.
Pois bem, sabia que havia lido algo a respeito nos ANAIS DA NUMISMÁTICA BRASILEIRA e fui lá pesquisar onde tinha obtido  esta informação.  Não demorando muito, encontrei na Revista Numismática, periódico publicado pela S.N.B, em 1933 – anno I  - nº 2 – página 135, um texto publicado pelo ZUINGLIO M. HOMEM DE MELLO, cujo texto, reproduzo abaixo não fazendo a transliteração de palavras para a nossa língua portuguesa atual, fazendo questão de deixar da forma que foi escrita, vejam abaixo a íntegra do texto publicado.
HISTÓRICO DA SOCIEDADE
Zuinglio M. Homem de Mello
Em 1923 ocorreu à Sociedade Philatélica Paulista, crear, ao lado da secção de Philatelia, uma secção numismática.
Pouco eram os que se dedicavam, na época, a esse ramo, tão interessante quanto atraente, da arqueologia. Poderemos citar entre outros D. Duarte Leopoldo e Silva, digníssimo arcebispo de São Paulo, Drs. Joaquim Marra, José Vieira da Costa Valente, Arthur Martins da Costa Passos, Humberto Pereira dos Santos, Carlos Bezerra de Miranda, Raul Whitacker, Vicente Ancona Lopes, Commendador Francisco Salles Collet e Silva, Srs. Agostinho Pardini, Octavio Braga, Benjamim Klabin, Carlos d’Almeida Braga e Zuinglio M. Homem de Mello.
Semanalmente, às quintas feiras, reuníamo-nos em sessão, na Sociedade Philatélica, onde eram permutados exemplares e discutidos e estudados os assumptos de nossa predilecção.
Assim vivemos como dependência daquela Sociedade, até que, julgando os numismatas filiados à Philatelica, oportuna a ocasião para se fundar uma sociedade à parte, e que tratasse exclusivamente da numismática, resolvemos a fundação da Sociedade Numismática Brasileira.
A 19 de janeiro de 1924, reunimo-nos, por excessiva gentileza do Dr. Raul Whitacker, em seu consultório, à rua de São Bento, nº 33, para assentar as bases da nova sociedade, que, de futuro, viesse congregar todos os amantes desse ramo da arqueologia, esparços pelo nosso vasto Paíz.
Na data acima, como se verá da acta que no final desta exposição inserimos a título de curiosidade, foi aclamada uma directoria provisória, que ficou assim constituída: Presidente. Sr. Agostinho Pardini; Secretario, Dr. Octavio Braga; Thesoureiro, Dr. Raul Whitaker.
Assumindo a presidência dos trabalhos, o Sr. Agostinho Pardini, designou o Sr. Carlos d’Almeida Braga, para elaborar o projecto dos estatutos.
Após algumas reuniões, assistidas sempre com enthusiasmo foram os estatutos aprovados a 19 de fevereiro de 1924.
Tendo já prompta a lei básica, convocou o Sr. Presidente uma assembleia geral, para o fim especial de eleger, a directoria definitiva.
Assim, a 26 do mesmo mez, realizou-se a assembléa. Aberta a sessão pelo Sr. Agostinho Pardini, expoz os fins da reunião, e suggeriu a escolha de um dos presentes para presidi-la. Pedindo a palavra o Dr. Carlos Bezerra de Miranda, propoz fosse acclamado presidente, o Dr. Joaquim Marra, o culto numismata brasileiro. Assim indicado, o Dr. Joaquim Marra assume a direcção dos trabalhos, agradecendo a honra que lhe cabia, de presidir a primeira assembléa da novel sociedade.
Acto seguido procedeu-se à votação e, colhidas as cédulas, apurou-se o seguinte resultado: Para Presidente, Dr. José Vieira da Costa Valente; Vice-Presidente, Dr. Arthur Martins Passos; 1º Secretário, Sr.Octávio Braga; 2º Secretário, Dr. Carlos Bezerra de Miranda; 1º Thesoureiro, Sr. Carlos d’Almeida Braga; 2º Thesoureiro, Sr. Z.M.Homem de Mello; Consultor Technico, Dr. Joaquim Marra.
Congratulando-se o Sr. Presidente com o resultado verificado, e após vibrante oração, da posse à nova Directoria, no meio do maior enthusiamo dos presentes.
Do exposto é manifesto caber à Sociedade Philatelica Paulista, a gloria de haver congregado os numismatas de São Paulo e ter sido o berço da primeira sociedade numismática do Paiz, o que é inegavelmente um padrão de gloria para a filatelia paulista.
Eleita a sua primeira Directoria, poz mãos á obra para, visando não só um programma de horizontes vastos, dedicar-se com empenho de que era mister, ao problema de disseminar o gosto pela numismática em nosso Paíz e congregar em torno de si os apaixonados pelo mais útil e talvez mais agradável ramo da arqueologia.
Attendendo a amável convite do ilustre e inolvidável Dr. Affonso de Freitas, então digníssimo Presidente do Instituto Histórico e Geographico de São Paulo, passamos a ter nossas sessões naquelle austero cenáculo, até que ocasião mais propícia nos permitisse possuir uma sede própria.
Ahi permanecemos por espaço de um anno, sendo então transferida a nossa sede, para prédio da rua de São Bento.
Dado o pequeno número de numismatas na Capital e menor ainda o número dos contribuintes e frequentadores, viu-se a nossa Sociedade em situação financeira bastante angustiosa e, assim, após reunião da Directoria, deliberou-se, correspondendo a amável convite e suggestões de seu Presidente de então, Dr. Arthur Martins Passos, um dos mais ardorosos batalhadores da causa numismática, fosse transferida a sede da Sociedade, para uma das salas de seu conceituado consultório, até que novo alento e a volta de velhos sócios nos permittise vida propria.
Nessa situação permanecemos por espaço de dois annos e pouco, lutando com todo o esforço pela conservação da sociedade que em bôa hora fundámos, eramos poucos, uns vinte ao máximo, os que, no acertado dizer do ilustrado jurisconsulto Dr. Joaquim Marra, fôramos os conservadores do fogo sagrado.
Nessa situação de angustia permanecemos, até que em fins de 1930, com o retorno de velhos camaradas e adhesão de novos e enthusiatas colleccionadores, novo alento animou a numismática Paulista. Transferimos nessa ocasião, nossa sede para o prédio actual, aproveitando um dos momentos mais propícios para propagar o gosto pela numismática, qual foi o da comemoração do 4º centenário da Colonização do Paíz, intensificou-se a campanha para o augmento no nosso quadro social.
Entre outros meios de commemorar a ephemeride, a alta sociedade paulista resolveu promover uma exposição de arte retrospectiva, tendo dintinguido com amável convite nossa Sociedade, para se representar nesse certame de tão apurado gosto artístico.
Após vários estudos, resolvemos tomar parte na exposição que, fatalmente, como depois se comprovou, traria renome à nossa modesta Sociedade.
Obs. Continua esta história da página 137 até 145, periódico publicado pela S.N.B, em 1933 – anno I  - nº 2, onde o texto dali pra frente nomeia-se a comissão da exposição. Etc....
Reproduzo até aqui este texto, que foi suficiente para provar que a Sociedade Numismática Brasileira foi criada por pessoas advindas da Filatelia Brasileira, no caso, a SOCIEDADE PAULISTA DE PHILATELIA, sanando dúvidas de pessoas sobre minha afirmação de como nasceu a S.N.B.
Boa leitura a todos.
João Gualberto Abib – Membro da SNB desde 2005 e Numismata de Curitiba, Paraná.
 
 

16 de mar de 2014

90 ANOS DE S.N.B - SOCIEDADE NUMISMÁTICA BRASILEIRA





90 ANOS DE SOCIEDADE NUMISMÁTICA BRASILEIRA

Texto: João Gualberto Abib – Membro Associado da S.N.B. desde 2005.

Por ocasião dos 90 anos da Sociedade Numismática Brasileira, encontro que se realizou em São Paulo, dias 14 e 15 de Março de 2014, e que por motivos de saúde não pude estar presente e lembrando mesmo a contragosto que nada é eterno, somente as instituições podem e devem ser eternas, mas para isto, para que haja esta perpetuação nas instituições, devemos reconhecer tudo isto aos sócios fundadores, principalmente, aqueles que no ano de 1924 fundaram a S.N.B. e para quem não sabe, estes iluminados fundadores, advindos na grande maioria da FILATELIA e bem como aos abnegados que ao longo dos anos mantiveram esta vela acessa participando ativamente da diretoria, ano após ano até que se comemorassem estes anos da fundação, desta que é maior e mais importante instituição numismática Brasileira.

Só desta forma as instituições se perpetuam, houve anos gloriosos que viveu a sociedade, pela qualidade dos sócios de então, mas nunca nos devemos esquecer que momentos cruciais e com dificuldades também passou a sociedade, com poucos sócios abnegados em alguns períodos e com muitos sócios que deram do melhor em certos períodos, o certo é que durante estes 90 anos de existência, o tempo passou e aqui chegamos para comemorar este grande feito, a perpetuação da existência de nossa sociedade.

Só para lembrar, quantas sociedades com finalidade cultural sem fins lucrativos já fizeram 90 anos no Brasil, poucas, muito poucas chegam nesta idade de forma ativa com aumento gradativo de sócios, com eventos sendo promovidos todos os anos, como o Congresso Brasileiro de Numismática que se realiza anualmente, lá pelos meses de Novembro e Dezembro de cada ano. Lembrando que o primeiro Congresso Brasileiro de Numismática se deu no dia de 24 de Março de 1936, ou seja, há mais de uma década de sua fundação, mas aqui estamos, pela força dos sócios atuais mantendo a tradição de fazer realizar a cada ano este Congresso tão importante para a Numismática Brasileira.

Também não devemos nos esquecer que a S.N.B. editou desde a sua fundação a “Revista Numismática”, iniciando a publicação nº 01 em 1933, e que hoje segue sua publicação como “Boletim da SNB”, estas publicações, desde então, constituem os verdadeiros anais de nossa Numismática Brasileira. É uma verdadeira alegria daqueles Numismatas que tem em sua coleção todos os exemplares desta riquíssima coleção publicada.

Parabenizo a todos que participaram deste encontro por ocasião dos 90 anos de existência da Sociedade Numismática Brasileira e a todos os diretores e ex-diretores que dispuseram o seu precioso tempo participando ativamente, cada qual a seu tempo, para que as coisas se realizassem na S.N.B., principalmente, aqueles que são funcionários (Secretárias, Assistentes, Porteiros, pessoal da limpeza e segurança, etc..) desta sociedade, estes sim, são os grandes colaboradores que fazem estes eventos acontecerem de fato.

Desejo assim, que esta sociedade caminhe trilhando o objetivo maior que é entrelaçar os interesses dos Numismatas associados em informação histórica e em material numismático, que estes sempre tenham acesso destes interesses nos encontros e nos leilões promovidos por esta querida sociedade.