1 de fev de 2015

CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE A PEÇA DA COROAÇÃO - MOEDA DE OURO DE 6.400 RÉIS DE 1822.

Olhem uma revelação histórica: Todos diziam que a peça da Coroação ( Moeda em ouro de 6.400 Réis do ano de 1822) foi rejeitada pelo imperador, porque o busto estaria desnudo e que não lhe agradou o visual, por isto foi por ordem IMPERIAL recolhidas, restando poucas moedas e depois estas que restaram, ficaram conhecidas como a PEÇA DE COROAÇÃO. Pelo menos isto me foi passado por quase todos os Numismatas mais velhos que eu.

Agora mesmo, lendo a Página 45 do Livro "Medalheiro da Casa da Moeda" apresentado na Exposição de 1861 , de autoria do Dr. Cândido de Azeredo Coutinho, editado e publicado pela Typografia Nacional em 1862. Diz o texto......." prejudicando talvez algumas das Altas Qualidades do Fundador do Império, diremos que a moeda de ouro cunhada para correr no novo Império desagradou ao Senhor D. Pedro I, não por nela se achar SEU BUSTO sob forma heroica, e sim por faltar na legenda a palavra - CONST. antes da IMP. e por estar o mesmo Busto coroado de louro, FALTA E REDUNDANCIA estas que, como imediatamente descobriu AQUELE AUGUSTO SENHOR, se prestavam a alusões menos dignas de seu Nobre Caráter. Que não foi por estar o retrato sob forma heroica, que o IMPERADOR rejeitou esta moeda, convence o seguinte documento existente na CASA, a saber, uma prova da de 4$000 gravada em 1823, que, apesar de ter o retrato vestido de farda, por lhe faltar na legenda a palavra - CONST. , foi também REJEITADA".
" E é porque a respeito da primeira moeda, censuras tiveram outrora lugar que deve ficar bem provado que não só o Augusto Fundador da Independência não teve parte na determinação das mutras; mas até que foi quem, pelas razões apresentadas, se opôs à sua circulação. Continuou a CASA a cunhar até Julho de 1849 a moeda de Ouro com as mutras assim modificadas, e a de prata com as adotadas em 1835."

Comentário: Ou será que estavam procurando uma justificativa mais nobre? Afinal, desnudo no Busto, poderia indicar outras inclinações ao Nobre Imperador. Mas olhando agora a moeda no catálogo P.592, em comparação com a P. 598, de fato, houve esta correção do CONST.IMP.
Para o bem de nossa Numismática é o que está escrito neste livro de 1862. Desta forma, fica incorporada mais esta informação acerca da peça da coroação.

Continuando a pesquisa: Nas paginas 32 e 33 do mesmo livro de 1862, achei isto interessante para divulgar. " Não nos tem sido possível até hoje descobrir o Decreto ou Portaria, que mandou abrir o cunho das primeiras moedas de Ouro, nem quem ordenou a gravura das segundas, sabe-se contudo pelo oficio seguinte que o senhor Dom Pedro I fizera oposição à circulação daquelas.......até o dia 16 de Julho passado não se cunharão em Ouro, Prata ou Cobre com o novo cunho das Armas do Império, senão 64 moedas de ouro de 6.400 Réis com o retrato de S.M. o Imperador, digo Imperial de corpo nú, para o dia da Coroação, cujo retrato não tornou a servir mais, por não agradar ao Mesmo Imperial Senhor e desde então até o dito dia 16 de Julho não houve mais decisão alguma. Rio, 27 de Agosto de 1823 - José Maria da Fonseca Costa."
 
De qualquer forma, os Numismatas mais velhos, não estavam totalmente errados da informação que me passaram, de fato houve um descontentamento do Imperador sobre o busto desnudo, o que motivou por este, o recolhimento daquelas 64 moedas, pelo menos parte delas, foram preservadas para o bem na Numismática Brasileira.  

Boa Leitura a todos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário